março 04, 2014

Vamos reanimar as coisas por aqui...

Eu prometo. Protelo. Adio. Mas está na hora de voltar.

Acabei de ver a data da minha última postagem e isso é uma vergonha.

dezembro 22, 2012

De dentro para fora e para dentro de novo

Preciso voltar a escrever com mais freqüência. Esta semana, em diversos momentos tive o impulso de me sentar em frente ao computador e escrever sem parar, por horas, palavras soltas, mesmo sem nexo, sem sentido algum. Só para deixar fluir as idéias, para o pensamento correr solto, sem críticas, sem censura.

Acho que a gente passa muito tempo procurando seguir linhas muito claras de raciocínio, muito racionais, e não deixa a alma falar um pouco, não deixa a alma correr solta, não deixa o universo se manifestar através das nossas mãos, fala e pensamentos. Curiosamente é o que o universo faz o tempo todo, mas nós, surdos, não ouvimos claramente.

Sei que prometi inúmeras vezes voltar a escrever. Me cerquei de bons papéis, canetas fantásticas, aplicativos no computador, no celular, no tablet para garantir que nenhuma imagem ou que nenhuma idéia passasse batida, mas tenho sido relapso com isso. Sempre gostei de escrever minhas impressões, de documentar o que vejo com os olhos do corpo e com os olhos da alma, mas de alguma maneira surgiu um bloqueio em mim, há algum tempo, que me impede de colocar para fora tudo o que vejo por dentro.

E estou aqui, sentado na recepção aguardando minha consulta com minha terapeuta holística, sozinho, enquanto a chuva bate no teto sem parar. A música ambiente ao fundo, um silêncio de pessoas em volta e um barulho na minha cabeça que vai diminuindo enquanto abro meu tablet e escrevo isso tudo. Tentei a caneta e o papel, mas não saía nada, e eu sabia que precisava falar, nem que fosse só comigo mesmo. Eu só queria ter uma conversa comigo, mesmo.

Engraçado que esta sensação está comigo desde a semana passada, talvez mais. Me lembrei dos outros projetos de blogs que tinha, todos registrados, elevados, e abandonados na seqüência. Falta de foco, talvez? Ou seria um misto de falta de tempo, de inspiração, e vontade? Ou mesmo um esvaziamento de idéias, e por não ter nada de muito importante para colocar pra fora, acabei deixando tudo para dentro.

Mas daí, sentado aqui em silêncio, e enquanto escrevo tudo isso, fico pensando que em tantas coisas lindas que eu já fiz pra mim, para os outros, para o universo, coisas boas e coisas grandes que guardei só pra mim. Plantas, quadros, idéias, sonhos bons e sonhos bizarros, poemas, declarações de amor aos outros e a mim mesmo, livros, passeios. Isso tudo daria ao menos um bom texto por dia, ainda que este texto não fizesse o menor sentido para os outros, mas faria todo sentido para mim.

No passado, quando era um adolescente complicado, sempre acompanhado de um amor platônico, muito só, eu escrevia mais, e tinha um sonho, que era justamente ser um escritor. Achava lindo o que um livro faz quando está nas mãos de uma pessoa, porque ele permite criar uma idéia de personagem, permite várias interpretações de um fato, sobre um momento, permite ver de maneira destacada sem que haja necessidade de envolvimento. Não sei bem por que esta idéia foi morrendo.

Lembro que cheguei a levar isso para a terapia há algum tempo, mas nunca conseguimos evoluir muito no assunto. Talvez eu não estivesse pronto, ou houvessem questões mais urgentes a serem tratadas. Fato é que não sei bem porque foi abandonada a idéia e nunca mais tocou-se no assunto.

Mas o universo é sábio. Quando você recusa algo que ele te dá gratuitamente, uma hora ou outra, ele volta para cobrar o que você fez com seu presente, com seu dom. Acho que é justamente neste momento em que estou agora, onde o universo está me cobrando algo com urgência. E talvez seja mesmo hora de dar atenção a isso.

Talvez seja hora de resgatar um pouco daquilo que deixei para trás há quase vinte anos, e que foi morrendo ao longo desses quase vinte anos, mas que ainda pode florescer. Talvez seja até uma maneira de lidar melhor com minhas próprias questões, com minha própria raiva, com minha própria irritabilidade e também com o amor imenso que tenho dentro de mim. Quem sabe não nasce algo grandioso vindo daí? Quem sabe não é minha oportunidade de ter um trabalho conhecido? Ou simplesmente é uma oportunidade de fazer as pazes comigo mesmo todos os dias.

De certa forma é uma maneira de materializar os pensamentos em palavras e revê-los antes de colocá-los em prática, ou mesmo rever o que foi dito e feito ara avaliar se foi a melhor alternativa, mesmo, se foi a melhor escolha, se foi louvável ou se foi reprovável. Retomando.


dezembro 08, 2012

Visão

É assim que vejo a cidade da janela do meu quarto. É assim que eu queria que fosse a cidade.

dezembro 06, 2012

Despromovido

Daí um dia você chega no trabalho como se não tivesse pregado os olhos a noite toda, mas você dormiu bem à noite. O sono domina você durante toda a manhã, de uma maneira inexplicável. Você tem certeza de que vai cair em cima do teclado ou vai dormir em alguma ligação importante.

No início da tarde toca seu telefone. Do outro lado da linha está seu diretor, que só costuma ligar para você quando algo muito grave aconteceu.

Mas dessa vez foi diferente. Ele ligou para me parabenizar pela minha promoção. Agradeci, claro, mas antes que eu pudesse explicar que não tinha entendido nada, ele percebeu que ligou para a pessoa errada.

Teste, Teste, Testando

1, 2, 3 testando

janeiro 30, 2012

Cisne Negro

Depois de um milhāo de anos assisti ao filme. Fantástica a interpretaçāo da Natalie Portman e da Mila Kunis. Ambas deveriam ter ganhado o Oscar.

janeiro 27, 2012

Testando meu novo brinquedo

Eis que estou aqui configurando e testando meu novo brinquedinho... Agora vou dar mais o ar da graça por aqui.

Assim espero...

janeiro 20, 2012

Dentro de Mim Mora um Anjo

Ele olha com desprezo por trás das lentes fumê dos óculos de sol de
aros azulados. São lentes grandes que cobrem parcialmente as
sobrancelhas, mas ainda assim é possível perceber o desprezo que
acontece por baixo deles. Além dos olhos, todo o restante do corpo
grita esse desprezo, movendo-se de um lado para o outro da calçada,
enquanto as pessoas passam apressadas pulando as poças d'água deixadas
pela chuva da noite anterior.

Trata-se de uma figura corpulenta, obviamente bem acima do peso normal
e beirando a obesidade com a qual boa parte dos cardiologistas
constroem suas carreiras de sucesso. Em dois ou três passos foi
possível identificar que dentro daquele corpanzil morava uma figura
magra, lânguida e sinuosa querendo sair. Como se todo aquele corpo
fosse apenas uma armadura, impedindo que o corpo de verdade pudesse se
mostrar para o mundo.

Preso dentro de uma calça social preta e camisa cinza-chumbo, com
sapatos baratos com solado de borracha, os óculos de sol com aros
azulados e lentes fumê eram a única coisa que entregava o que a
carapaça roliça escondia. Os óculos mostravam certa irreverência para
tanta formalidade nas vestimentas. Um grito de liberdade em meio a
toda aquela fantasia. E tinha o olhar de desprezo, as passadas de
desprezo, o movimento de desprezo e o cigarro apoiado nos lábios com
uma empáfia única.

Pela maneira com que sorvia a fumaça e retirava o cigarro da boca
enquanto se locomovia era notório que a figura presa dentro de si
queria sair gritando em meio a toda aquela balbúrdia do Centro da
cidade, em meio às poças d'água e mostrar toda a liberdade que não
podia ter. Era prisioneiro dentro daquela figura corpulenta, com
roupas e sapatos baratos e obrigado a se vestir e agir como quem não
era de fato.

A figura era triste. O olhar de desprezo só denotava a enorme tristeza
em ter que fingir para o mundo ser uma pessoa que não era por dentro.
Mas a essência escapava aqui e ali como se não pudesse se conter por
muito tempo e tentasse a todo custo escapar por onde pudesse: pela
boca, orelhas, narinas e os poros. E escapou com a fumaça do cigarro,
os gestos delicados, quase femininos, e os óculos de aros azuis com
lentes fumê.

janeiro 14, 2012

Mais uma nota pessoal

Fazer outros caminhos para voltar para casa, para não se deparar com o que não quero ver.

Talvez o melhor seja mudar logo de casa, mesmo, assim este problema fica resolvido de vez. Este e outros tantos problemas. Assim já vai ficando tudo macio.

dezembro 12, 2011

Nota pessoal

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo."

Clarice Lispector

agosto 16, 2011

Neruda...

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

Cigano

‎"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."

(Caio Abreu)

junho 27, 2011

Sobre todas as coisas e eu...

Juegos de Azar y de Amor

La tensión del encuentro.
El frío del juego.
Las cartas temblando en mis manos.
El silencio.
E l v a c í o …



Fue cuando el sonido de una canción española rompió el silencio.

Tu corazón se lleno de emociones,
Tus ojos se llenaron de lágrimas,
Y el aire de amor.

Yo me llene de una paz profunda.

Me has enseñado a luchar por el amor,
Yo voy a enseñarte a rendirte a él.

Carlos Alves

março 21, 2011

Sutileza

A cada dia que passa vou aprendendo a sutil diferença entre estar certo e ter razão.

Ter razão é insano. E para ter razão as pessoas fazem as coisas mais irracionais que se pode imaginar. Elas atropelam, passam a perna, gritam, se exaltam em diversos níveis e habitualmente perdem a razão que tanto queriam provar que tinham.

Já estar certo é pacífico. Porque estar certo dá conforto. E estando certo não é preciso provar nada. Basta estar e só. É sutil. E estou certo disso.

fevereiro 06, 2011